quinta-feira, 25 de outubro de 2007

As vezes, somente as vezes é bom ficar só....


É verdade que muitas pessoas criativas não conseguem estabelecer relações pessoais maduras e algumas ficam extremamente isoladas.é verdade também que, em algumas ocasiões, um trauma , na forma de uma separação ou perda precoce, desvia a pessoa potencialmente criativa para o desenvolvimento de aspectos de sua personalidade que podem encontrar realização em comparativo isolamento. mas isso não significa que as buscas criativas solítárias sejam em si mesmas patológicas.[...]

Obs:Esta imagem foi retirada do site http://www.deviantart.com

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Carta aos Mortos




Sempre gostei do poeta Affonso Romano de Sant'Anna, e descobri a pouco tempo a poetisa Marina colasanti,e hoje navegando na net descubro que os dois são casados,isso que eu chamo de par perfeito.

http://pagina.de/affonso






Amigos, nada mudou
em essência.

Os salários mal dão para os gastos,
as guerras não terminaram
e há vírus novos e terríveis,
embora o avanço da medicina.
Volta e meia um vizinho
tomba morto por questão de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
e como sempre, mulheres portentosas
nos seduzem com suas bocas e pernas,
mas em matéria de amor
não inventamos nenhuma posição nova.
Alguns cosmonautas ficam no espaço
seis meses ou mais, testando a engrenagem
e a solidão.
Em cada olimpíada há récordes previstos
e nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
com a modernidade.

Reencenamos as mesmas tragédias gregas,
relemos o Quixote, e a primavera
chega pontualmente cada ano.

Alguns hábitos, rios e florestas
se perderam.
Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
ou toma a fresca da tarde,
mas temos máquinas velocíssimas
que nos dispensam de pensar.

Sobre o desaparecimento dos dinossauros
e a formação das galáxias
não avançamos nada.
Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
países se dividem
e as formigas e abelhas continuam
fiéis ao seu trabalho.

Nada mudou em essência.

Cantamos parabéns nas festas,
discutimos futebol na esquina
morremos em estúpidos desastres
e volta e meia
um de nós olha o céu quando estrelado
com o mesmo pasmo das cavernas.
E cada geração , insolente,
continua a achar
que vive no ápice da história.

Eu sei que a gente se acostuma...mas não devia.


A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.



{Marina Colasanti - em seu livro Eu Sei, Mas Não Devia}

Visitem o Blog :http://www.livre-essencia.blogspot.com

"Carpe Diem"


Essa fala eu vi em um filme, mas infelizmente agora não lembro o nome, assim que a memória ajudar, eu posto os devidos créditos.

Tenho umas rugas aqui e ali,mas já dormi sob milhares de céus estrelados, minha aparência é esta, porque bebi e fumei, vivi e amei, dancei, cantei,suei e transei o quanto pude nesta vida maravilhosa.
Se meus músculos doem, é porque os usei, se é difícil para mim subir as escadas agora, é porque as subi todas as noites para dormir com que me amava.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Aproveite cada momento


Ele está preso em Alcatraz, mas ele sabia que era inocente.
Enquanto dorme, sonha que esta no deserto,e encima de uma duna,
há uma mesa com uns juízes que o declaram culpado,ele avança
até a mesa inconformado dizendo: sou inocente! Sou inocente!
E pergunta: do que me acusam? E os juízes da mesa dizem:
De uma vida desperdiçada.
Então ele abaixa a cabeça, gira e começa a caminhar pela areia dizendo: culpado, culpado, culpado...

Texto retirado do Blog :http://frasecurta.blogspot.com

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

sexta-feira, 14 de setembro de 2007


Cresci exuberante de corpo, mas com uma mente nervosa, ansiosa. Ela queria algo mais, algo tangível. Ela buscava a realidade intensamente, sempre como se ela não estivesse aqui[...]
Mas você vê logo o que eu faço.Eu escalo.

John Menlove Edwards
"Carta de um homem"